21:19
Um dos ônibus que pode me levar do trabalho, de volta para casa chega na parada que estou, não é o que eu prefiro, mas como quero chegar cedo, então embarco.
Não foi um dia muito quente, temperatura agradável, sem muito vento, e a noite era melhor ainda, nem fria nem quente. Foi um dia raro em Porto Alegre neste atual super verão.
Todos com caras de cansados e pensando em só uma coisa: quando que chegarei em casa ?!
Dentro do ônibus, ar-condicionado, janelas fechadas e todos sentados, raridade naquele horário! Áh... era terça-feira.
Depois de uns 35 minutos de viagem, a cerca de mais 5 min. para chegar em casa, o cobrador começa a desviar seu olhar para os passageiros sentados a sua esquerda, que no caso, seriam os da minha direita.
Ele olha, pensa, faz uma careta e olha pra frente. Repete o ato mais 5 vezes (contadas), eu tento ver o que ele está vendo, mas sem sucesso, naquele momento achei que não era nada, talvez o cobrador era louco mesmo, pensei, mas era porque havia 1 homem de pé ao meu lado que me impedia de ver o acontecido, até que uma vóz de uma mulher apavorada soa alto em meio a olhares de estranhos e silêncio:
- ELA DESMAIOU !
Então sim, todos os olhares se desviam a um só lugar: o de origem a tal voz.
Derrepente alguns começam a repetir a mesma frase dita pela tal mulher "misteriosa", como se fossem papagaios, só que maiores. Não sou um, "maria vaicas outras" então só assisto o tal desfecho.
Agora sim, o homem se move e troca de lugar, só então consigo matar a curiosidade da qual todo bom cidadão tem: havia uma mulher desmaiada sim.
Estava "sentada na janela", cabeça encostada para trás e de boca aberta. Aparentava ter mais de 40 anos, cabelos tingidos, volumosos, pele clara e com muita maquiagem no rosto.
O homem no qual impedia a minha visão do ocorrido não se mexe mais, só assiste como eu.
Depois de alguns segundos, que naquele momento pareciam mais uma eternidade, o homem no qual está sentado ao lado da desmaiada toma uma atitude: coloca seu braço ao redor dela e fala em tom alto:
- PARA O ONIBUS !.
O cobrador logo responde:
- O motorista está indo parar !
E foi verdade, o motorista praticamente jogou o ônibus para cima de todos os carros na pista.
Logo então o cobrador pega o telefone, disca alguns números e coloca o celular na orelha.
Só então uma mulher, bem vestida e atraente se levanta e vai a a desmaiada, dentre todos os passageiros homens naquele ônibus, só ela pareceu tomar uma iniciativa de verdade para tentar ajudar a tal pessoa.
Ela retira o tal homem que estava ao lado da desmaiada e tenta fazer com que ela responda a algumas perguntas:
- Ei, ei ! Você está bem ? Está acordada ? Qual é seu nome ?
Entre tapas e perguntas ela abre os olhos e responde:
- Eu to bem, ããhhmm...
- Você quer que a gente chame a ambulância ?
- Não não, eu to bem.
(Puta que pariu a mulher ta passando mal, desmaiou e tu pergunta se ela quer uma ambulância, ela PRECISA querendo ou não).
Então vem a melhor frase de todas que sempre escutamos quando alguém está mal vem a tona em bom e alto tom:
- Bota a cabeça dela entre a pernas !
O que me fez pensar em falar: Quem é você ? Você é médica por acaso ? Sabe o que ela tem ?
Mas não, obvio, pois então teriam conseqüências sobre mim.
Então a boa samaritana que tenta ajudar a desmaiada pede um celular, os 2 homems que estavam ao lado dela desesperadamente tentam pegar os seus, nos seus respectivos bolsos, mas após tanto nervosismo nenhum deles consegue, só então outra passageira tira o seu numa só tentativa e liga para a ambulância. E até agora o cobrador está tentando ligar para a ambulância.
Fim da história: A mulher acaba "melhorando" e a boa samaritana fica ao lado dela ajudando, encosta outro onibus e todos vão a ele, deixando apenas as 2 mulheres, o motorista, o cobrador e os curiosos de plantão, a espera da ambulância.
TA BOM MAURÍCIO, MAS NÃO ENTENDI O PORQUE TU ESCREVEU ISSO !
Ok!Ok!
Moral da história:
Segundo alguns estudso do IBGE, no Brasil tem mais mulheres do que homens. Os números sempre mudam, mas sempre está nesta média:
52%~60% Mulheres
48%~40% Homens
Agora pense, naqueles onibus devia haver oque, uns 30 passageiros talvez ?
Então seriam cerca de 17mulheres e 13homens.
Deste 13 homens no onibus, podemos tirar uns 4 que seriam idosos, e não poderiam ajudar na situação.
Agora são 9, tendo em média 16 até 40 e poucos anos de idade.
Deste 9, nenhum teve a menor capacidade de se impor e tomar as "rédias" da situação e resolver o problema e foi preciso uma mulher tomar alguma atitude.
E deste 9, tem 1 que fica postando isso no seu blog. Ok! Ok! Não fiz nada também, poderia ter feito? Sim poderia, mas eu não tenho conhecimento nenhum sobre primeiros socorros, não sabia o que a mulher tinha e muito menos era o mais capacitado de ajudar a situação, ou talvez eu era e não sabia ?!
Enfim, deste 8 homens arrumadinhos, bem vestidos e com gelzinho no cabelo, não fizeram nada. Este foi um extremo reflexo da nossa sociedade hoje em dia, pessoas individualistas e egoístas, que adoram saciar sua curiosidade com desfechos públicos e alimentarem mais ainda seus egos.
Foi um acontecimento dentro de uma cidade grande, então imagino se isso acontece-se em outro lugar, como numa cidade pequena ou no interior, ou talvez em outra época, acredito que o resultado seria bem mais satisfatório do que esse no qual presenciei.
"Formigas são muito mais organizadas do que as pessoas".
Nessa sociedade na qual todos tem medo um dos outros, não consigo imaginar o pior, e como todos nós escutamos hoje em dia, os bons tempos já se foram.